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Segue
abaixo mais uma definição sobre ex-votos pois
informação e conhecimento nunca são demais:
Ex-voto
Definição
Abreviação latina de ex-voto suscepto ("o voto
realizado"), o termo designa pinturas, estatuetas e variados
objetos doados às divindades como forma de agradecimento por um pedido
atendido. Trata-se de uma manifestação artístico-religiosa que se liga
diretamente à arte religiosa e à arte popular, despertando o interesse de
historiadores da arte e da cultura, de arqueólogos e antropólogos. As
motivações do presente votivo são muitas: proteção contra catástrofes
naturais, cura de doenças, recuperação em virtude
de sofrimentos amorosos, acidentes e dificuldades financeiras. O voto feito
aos deuses, por sua vez, também adquire formas muito diversas: placa,
maquete ou pintura descrevendo os motivos da promessa, ou pequenas réplicas
(de barro, madeira ou cera) das partes do corpo afetadas por moléstias
(perna, cabeça, mão, coração etc.), chamadas por alguns de "ex-votos
anatômicos". Designam-se "ex-votos marinhos" aqueles em
forma de barcos, realizados em regiões litorâneas. Colocados em locais
públicos - capelas ou sala de milagres -, os painéis ou presentes votivos
trazem freqüentemente a inscrição "ex-voto" ou "milagre
feito".
O tipo de troca com o divino que o ex-voto expressa,
artística e ritualmente, é uma prática observada em todas as épocas e
culturas. Pairam dúvidas sobre sua origem, embora algumas fontes
localizem-na entre os fenícios. É observada nas religiões
pré-cristãs e pré-islâmicas da Ásia Menor, norte da África, e povos
mediterrâneos, da Europa ocidental e central. Formas comparáveis ou
idênticas encontram-se em tradições recentes e
populares da Índia, Tibet, China e Japão. O
costume de oferecer "presentes votivos" se dissemina pelas
Américas do Sul e Central, entre a colonização portuguesa e espanhola,
e as missões católicas romanas. Na Idade Média, o ex-voto é hábito da
nobreza, que encomenda os objetos votivos - em geral pinturas - a artistas
conhecidos. Até o século XVI, o ex-voto pintado se mantém preferencialmente
relacionado às classes mais abastadas; e, a partir desse período, as
imagens votivas se disseminam pelo mundo ocidental, aparecendo cada vez
mais em imagens populares.
Ao se popularizar, o ex-voto diversifica a forma,
ficando a cargo de artesãos e artífices, em geral anônimos, instalados perto dos santuários ou de lugares de peregrinação,
a quem as peças são encomendadas. Em razão dos materiais perecíveis
empregados (como a cera) e de furtos (quando se trata de metais nobres),
muitos desses objetos se perderam com o tempo. Entre as imagens mais
antigas preservadas a que se tem acesso encontram-se as da igreja de Hagios Demetrios (séculos VI
e VII) em Tessalônica, Grécia, e as da catacumba
de Commodilla, Roma (século VI).
No século XIV, especificamente, um tipo de imagem
votiva predomina. Trata-se de pintura sobre madeira, cartão, tecido ou
vidro, de caráter descritivo, cuja composição obedece a um padrão
determinado: na parte inferior, encontra-se a imagem daquele que pede a
graça, em postura de prece ou veneração. Atrás dele, o motivo do pedido,
retratado de forma realista, em tamanho reduzido. Na parte superior, figura
o personagem sobrenatural evocado, dominando a cena: ora colocado em trono
ou altar, ora flutuando numa nuvem. A representação pictórica traz
invariavelmente a inscrição: "ex-voto". Se os ex-votos pintados
têm grande propagação a partir de então - sobretudo na Itália do século XV
-, isso não quer dizer que esculturas não sejam realizadas também, como,
por exemplo, a pequena estatueta do príncipe Maximiliam
Philipp Hieronymus da
Bavária, catedral de Munique, 1644.
Os ex-votos são amplamente realizados até hoje, em
todo o mundo. No Brasil, trata-se de uma tradição que remonta ao século
XVIII e ao ex-voto pintado do convento de Santo Antônio de Igaraçu, em Pernambuco, procedente da antiga igreja de
São Cosme e Damião, 1729. Nele encontra-se relatada a epidemia da peste que
atinge o Estado em 1685, e que não teria alcançado a cidade em razão da
promessa feita pela população. Em Salvador, no mosteiro de São Bento,
encontra-se a pintura de 1745, que representa a figura daquele beneficiado
pelo milagre, Agostinho Pereira da Silva, que teria escapado de ladrões em
razão da promessa feita a Nossa Senhora dos Remédios. No Museu do Estado de
Pernambuco, é possível ver três painéis, datados de 1709, representando as
batalhas dos montes Guararapes e das Tabocas, e o apelo feito a Nossa
Senhora dos Prazeres. Ex-votos esculpidos em
madeira se fazem presentes em diversos Estados do Nordeste brasileiro,
principalmente Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.
Ainda que, de modo geral, essas obras sejam anônimas,
é possível citar os nomes de alguns artistas como Dezinho de Valença
(1915), Mestre Noza (1897 - 1984),
e de Zé Leão, muito conhecido como escultor de ex-votos. O Museu Câmara
Cascudo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, mantém uma importante coleção de ex-votos de
várias regiões do Estado. As "casas de milagres" dos grandes centros
de peregrinação, como o de Bom Jesus da Lapa, Bahia, o de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais,
Canindé, Ceará e Aparecida do Norte, São Paulo, recebem
grande variedade de objetos trazidos pelos romeiros que vêm pagar
promessas.
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